

Coordenadora do Projeto Brasil Canadá dá entrevista sobre incineração ao jornal Folha Universal. A conclusão da jornalista está mais do que certa: incinerar é o mesmo que queimar dinheiro, já que o lixo é uma fonte de recursos para indústria e fonte de renda para milhares de trabalhores.
Veja abaixo a matéria na íntegra.
Fonte: http://www.folhauniversal.com.br/brasil/noticias/queimando_dinheiro-6835.html
Em vez de investir em reciclagem, cidades optam por usinas de incineração. Lixo que poderia ser reaproveitado vira fumaça
Gisele Brito
gisele.brito@folhauniversal.com.br
Depois de 19 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada no ano passado com festa pelos ambientalistas. No entanto, uma modificação de última hora permitiu a adoção da incineração do lixo como uma alternativa que passou a ser considerada de forma corriqueira por diversas cidades em todo o Brasil. Em vez de investir em programas de coleta seletiva, muitas prefeituras têm projetos para construir usinas de incineração, apresentadas como solução “verde”. Especialistas, porém, afirmam que o custo para se implantar uma usina é maior aos ganhos econômicos, sociais e ambientais da reciclagem. “Retirar a matéria-prima do meio ambiente é mais caro do que reaproveitá-la”, afirma Jutta Gutberlet, professora e coordenadora do projeto de coleta seletiva Brasil-Canadá.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a reciclagem de apenas 2,4% de todo o lixo produzido no Brasil por ano representa economia de recursos de R$ 1,3 bilhão a R$ 3 bilhões. Tal valor poderia ser de R$ 8 bilhões se todos os resíduos sólidos urbanos como plásticos fossem reciclados.
Um exemplo dos problemas decorrentes da adoção da incineração é o que acontece em Unaí, em Minas Gerais. Na cidade, uma pequena usina transforma o lixo queimado em tijolos de carvão usados em siderúrgicas. Segundo o Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis (MNCR), a unidade tem inviabilizado a reciclagem, já que até os catadores vendem o material para alimentar o fogo.
Em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, a Prefeitura pretende montar uma usina com capacidade para queimar 650 toneladas por dia de lixo. O investimento, dizem as autoridades, virá acompanhado de programas para aumentar a reciclagem de 1% de tudo que é descartado para 10% em 2017. Mesmo assim, o projeto gera desconfiança. “Eles vão queimar os postos de trabalho que a reciclagem cria”, argumenta Maria Mônica da Silva, de 38 anos, catadora e membro da articulação estadual do MNCR. Ela lembra que, para atingir temperaturas elevadas, é preciso que o material queimado seja rico em papel e plástico, dois materiais recicláveis. A incineração antecipa o fim da vida útil de produtos e não evita que novas matérias-primas sejam retiradas do meio ambiente. “É um problema muito complexo que envolve saúde, meio ambiente e economia”, destaca.
A administração municipal afirma que o modelo é seguro e não polui, e menciona a prática da queima do lixo em países como Dinamarca e França para garantir sua eficiência. O processo realmente é bastante difundido na Europa. No entanto, desde 2000, comissões da União Europeia tem desmotivado tal alternativa, em função da poluição que a fumaça da queima dos resíduos emite no ar, mesmo com rigoroso tratamento a que ela é submetida. “É um método muito usado, mas também muito questionado pela sociedade”, afirma a professora Jutta. “Algumas substâncias, principalmente as dioxinas e os furanos são dificílimas e caras de serem contidas dentro das chaminés. E já se sabe que elas têm alto potencial cancerígeno”, completa.
No Brasil, cerca de 60% do lixo é matéria orgânica, como restos de comida, resíduos que não produzem calor suficiente. O restante pode ser reciclado, com exceção de uma pequena parcela inaproveitável. “Nós lutamos para que se amplie a reciclagem e se diminua a produção e o consumo de materiais que não podem ser reaproveitados, porque eles são danosos ao planeta”, explica Jutta.
Para ela, além de não resolver os problemas relacionados ao lixo, a incineração cria outros. “Ainda será necessário dar destino para as cinzas tóxicas que representam 25% do que é queimado e cria um problema social sério porque prejudica os catadores e as empresas de reciclagem”, afirma.
Catadores participaram ativamente da elaboração e estão contemplados.
Prefeito de Guarulhos e Secretária de Serviços entregam o Plano à Roberto Laureano
Foi lançado no dia 02 de Agosto o Plano Diretor de Resíduos Sólidos do município de Guarulhos, na Grande São Paulo, em uma cerimônia de reuniu cerca de 300 pessoas no auditório municipal. O Plano de Resíduos de Guarulhos é o primeiro a ser lançado no Brasil e contou com a participação massiva da sociedade civil em diversas oficinas e grupos de trabalho. O resultado foi à publicação de um documento de cerca de 300 páginas que planeja todo o sistema de gerenciamento de resíduos da cidade e que inclui os catadores de materiais recicláveis na gestão pública de manejo dos resíduos.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, que completou 1 ano de existência no dia 02 de agosto e prevê que todos o municípios brasileiros ou consórcios intermunicipais devem desenvolver seus Planos Municipais de Resíduos Sólidos e planejar adequadamente o tratamento dos resíduos sólidos sob pena de responder por crime ambiental.
O MNCR participou ativamente da construção do Plano de resíduos e Guarulhos e esteve presente na cerimônia de lançamento. “Construímos conjuntamente com os catadores da Cooper Recicláveis que sempre esteve presente nas discussões. Esperamos que as metas desse plano sejam cumpridas e que os catadores, que têm participação prioritária, sejam realmente incluídos nesse processo”, declarou Roberto Laureano, representante do MNCR, que parabenizou o município pelo lançamento do Plano. “Estamos muito felizes, pois enquanto algumas cidades estão pensando em queimar o lixo ao invés de reciclar, Guarulhos dá o exemplo lançando esse Plano”, completou.
O lançamento teve a presença de vereadores e autoridades de Guarulhos e de Municípios de região, assim como o presidente do Consórcio de Municípios da região. O representante do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Bauduki, fez palestra sobre aspectos da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
21/07/2011 - 17h09
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Integrantes do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, fizeram hoje (21) uma manifestação na Praça da Matriz da cidade e protocolaram uma ação no fórum municipal por causa da intenção da prefeitura de instalar um incinerador de lixo no município. De acordo com representantes dos manifestantes, na cidade há duas cooperativas que empregam 85 pessoas que se beneficiam da coleta seletiva.
Segundo uma das catadoras e membro da equipe de articulação do movimento em São Bernardo do Campo, Maria Mônica da Silva, o incinerador vai causar problemas de poluição para o ambiente da região. “Nós somos contra isso porque agride o meio ambiente. Queimando os resíduos terão que extrair novos recursos naturais para produzir mais matéria-prima. Se não cuidarmos do planeta agora não sabemos como vai ficar daqui a anos”.
Além do impacto ambiental, Mônica da Silva também destacou os prejuízos sociais com a medida, principalmente com o futuro dos catadores, que com o incinerador não terão como coletar e vender o material reciclável. “Os catadores já fazem parte da sociedade. Com o incinerador serão eliminados postos de trabalho que a reciclagem gera. Nós geramos e movemos a economia local. Colocamos essa pessoas de volta à sociedade. Se tem queima de resíduos, diminui bastante a quantidade de trabalhadores”.
Fonte: Agência Brasil http://is.gd/dCJnqR
Acaba de ser divulgada uma pesquisa alertando sobre os perigos da exposição à fumaça do Polo Petroquímico de Capuava, localizado na região do ABC. De acordo com a notícia veiculada no Diário do Grande ABC, são muitos os males provocados, entre eles a Tireoidite de Hashimoto, uma disfunção na glândula tireóide.
Agora façamos uma analogia com o que pode acontecer se os municípios adotarem a incineração para resolver a questão dos resíduos sólidos. Qual será o nível de poluição emitida se pensarmos apenas nas regiões metropolitanas distribuídas por todo Brasil?
Abaixo segue a matéria na íntegra que aponta os problemas causados pela fumaça do Polo Petroquímico.
As enfermidades mais comuns são a tireoidite de Hashimoto, uma disfunção na glândula tireóide. A doença traz diversos sintomas para o resto da vida - mesmo com medicação diária (sem acompanhamento, a pessoa morre) -, como depressão, cansaço, queda de cabelo e alteração de peso, além de doenças respiratórias. O caso é grave, mas as empresas do polo não colaboram com o Ministério Público e, principalmente, com a população.
O alarme soou em junho de 2002. Quem fez o alerta foi a professora e endocrinologista Maria Angela Zaccarelli Marino, da Faculdade de Medicina do ABC. O veredicto saiu após levantamento realizado durante 12 anos de pesquisas.
Nesse tempo, a médica constatou alto índice de pessoas que desenvolveram tireoidite crônica, mais conhecida como mal de Hashimoto. Os vizinhos do polo sofriam cinco vezes mais de problemas na glândula da tireóide do que outra região pesquisada.
O Diário teve acesso a documentos do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do Estado de Saúde e artigos publicados em revistas internacionais que indicam a probabilidade de o alto número de doentes estar ligado à poluição das empresas do polo.
Em 2008, o CVE enviou estudo com 1.533 pessoas, sendo 781 no polo e 752 em Diadema (área de controle), para o promotor público do Meio Ambiente de Santo André, José Luiz Saikali. O resultado confirmou a tese da endocrinologista (veja arte acima).
O promotor solicitou exames mais elaborados ao Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, com moradores e do ar da região. "A associação do polo queria colaborar, mas depois desistiu", disse ele.
No meio dessa confusão estão mais de 65 mil pessoas. Os primeiros resultados para descobrir as causas do aumento significativo das moléstias vão sair com dez anos de atraso.
"Até setembro, vamos ter as primeiras análises. Esse vai ser um passo importante", disse Paulo Saldiva, coordenador do laboratório da USP. A Associação das Empresas do Polo Petroquímico informou que não haveria tempo necessário para responder à reportagem.
ORIGEM DOS PROBLEMAS PODE ESTAR NA FUMAÇA DAS EMPRESAS
O clima é diferente. O horizonte é cinza. Os olhos ardem. A pele coça. O nariz escorre. As pessoas ficam ou estão doentes. Assim é a vida de grande parte dos moradores e trabalhadores dos arredores do Polo Petroquímico de Capuava, nas cidades de Mauá, Santo André e Capital.
A origem de todo esse transtorno pode estar ligada à fumaça que sai continuamente das chaminés das 14 empresas do polo, ao longo das últimas décadas.
A equipe do Diário constatou que a coisa mais comum ao andar pelas ruas dos bairros Capuava, em Santo André, Silvia Maria e Sônia Maria, em Mauá, e São Rafael, na Capital, é encontrar pessoas que sofrem do mal de Hashimoto e de doenças respiratórias, como rinite, sinusite ou bronquite. Todos acusam sistematicamente o Polo Petroquímico como agente transmissor.
Além da sensação de incômodo, a situação piora quando as petroquímicas "soltam aquela coisa". É assim que os moradores definem a liberação e queima de gases pelo flair (tipo de uma chaminé), mais as explosões, que assustam os idosos e as crianças nas madrugadas.
Alguns moradores, cansados de sofrer com os graves sintomas do mal de Hashimoto, como a desempregada Marlei Florência, 42 anos, venderam a casa por preço menor e foram embora. "Não tinha forças nem para levantar da cama. Essa foi a minha saída, mas perdi muito dinheiro e minha saúde", disse Marlei, que morou por mais de 40 anos no Sônia Maria.
Para Maria Angela Zaccarelli, professora e endocrinologista da Faculdade de Medicina do ABC, o perigo, além dos sintomas do mal de Hashimoto, é a associação com outras enfermidades, como esclerose múltipla, infertilidade precoce, lúpus e vitiligo.
"Por isso que é preciso saber o que sai das chaminés dessas empresas. Não podemos esperar mais, é preciso fazer alguma coisa já", comentou a especialista.
TEMPO DE EXPOSIÇÃO
O período para desenvolver a tireoidite ou doenças respiratórias varia de dois a quatro anos, segundo os casos diagnosticados pela pesquisadora.
A equipe do Diário encontrou quatro funcionários de uma empresa do polo que desenvolveram o mal de Hashimoto após dois anos de trabalho. "Não podemos falar nada. Se isso acontecer somos demitidos no outro dia", disse uma recepcionista.
DIA COMEÇA COM UM COMPRIMIDO
"Eu sou parte do Polo Petroquímico", diz a dona de casa Ivete Nardim Ceconello, 57 anos. Há 30 anos, a primeira coisa que faz ao acordar é ingerir um comprimido para o mal de Hashimoto. Ela sofre no corpo os efeitos do problema na glândula da tireóide por ser vizinha do complexo de empresas petroquímicas.
Com 21 anos, recém-casada, mudou para o bairro Capuava, em Santo André. "Não tinha nenhum problema de saúde, mas depois de alguns anos comecei a engordar. Aí fui fazer os exames e o resultado veio", lembra. Foi constatada uma queda nos hormônios da tireóide, e o médico pediu para realizar uma bateria de exames complementares. "Não deu outra, a minha tireóide estava tão grande que o técnico pensou que a máquina estava quebrada", comenta.
Desde então, a dor nas pernas e o ganho de peso foram compreendidos. A causa para desenvolver a doença, ela aponta sem hesitar. "Não tem dúvida. Nós respiramos esse ar com fuligem o dia inteiro."
Ao andar pelos arredores é fácil compreender os efeitos da fuligem. Os portões e paredes brancas ficam encardidos. "As minhas pacientes brincam que os cachorros delas amanhecem brancos e depois ficam pretos", diz a médica Maria Angela Zaccarelli Marino.
‘ESSA DOENÇA TORTURA AOS POUCOS'
Dor nas pernas, cansaço, boca seca, sono, moleza, queda de cabelos e outras diversas sensações desagradáveis. É assim que vários moradores da região do Polo Petroquímico se definem após a equipe do Diário fazer a simples pergunta de como é o seu dia a dia.
Não é diferente com a comerciante Elaine Aparecida Martins Nonato, 42 anos, quando não toma o seu comprimido, ainda em jejum, para o mal de Hashimoto.
"Impressionante como essa doença tortura aos poucos. Como sou muita esquecida, fico até dois dias sem tomar, aí a coisa fica feia", comenta.
A comerciante reside no bairro Sônia Maria, em Mauá, e cresceu na rua Antonio Calheiros, que tem as empresas do polo literalmente na frente da casa de sua mãe. "Além daquele pó preto que impregna em tudo, tem o forte cheiro de gás", aponta a moradora.
O surgimento do mal de Hashimoto ocorreu aos 28 anos, meses após dar à luz a sua filha. "Engordei muito e tinha dores nas pernas, cansaço, e não deu outra no exame. Comecei tomando 40 miligramas do remédio por dia, e hoje já estou no de 125. Mas essa doença, na região, infelizmente é normal", frisa a comerciante.
PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS SÃO COMUNS
Basta mudar o tempo para a balconista Elizangela Fernandes, 31 anos, perder o sono e passar a noite ao lado da filha Kimberly Sofhia, de 2 anos e 6 meses. As duas sofrem de problemas respiratórios crônicos, mas a criança é a mais afetada. A mãe tem crises de rinite desde os 14 anos; a pequena sofre de bronquite desde o primeiro ano de vida.
"Vivo com o nariz escorrendo, mas o problema está nela. É sarar de uma crise e, em pouco tempo, volta. É terrível, não aguento mais dar antibiótico", diz a mãe.
Para tentar melhorar a qualidade de vida da criança e não perder horas no hospital, a família comprou uma máquina de inalação, item comum nas casas visitadas pela equipe do Diário.
"Sempre faço inalação nela, até fica mais calma, mas parece que as crises cada vez ficam mais fortes", comenta a balconista, que sempre morou no bairro Capuava, em Santo André.
Até hoje apenas um estudo, em parceria entre a Faculdade de Medicina do ABC e o laboratório de Poluição Atmosférica da USP, foi realizado. O resultado da pesquisa, realizada em 37 árvores para saber a concentração de chumbo, não foi nada agradável: 4 ppm (partes por milhão), na média. Mas em algumas concentrava 15,6 ppm. O ideal seria 1 ppm.
Fonte: http://www.dgabc.com.br/News/5894088/doencas-atingem-os-vizinhos-do-polo.aspx
Todos sabem da dificuldade de inserção no mercado de trabalho sofrida por dependentes químicos. Veja como Marcus Azevedo conseguiu superar o problema.
O catador que reciclou a vida
Por: Claudia Mayara (mayara@abcdmaior.com.br)
Marcus Durante: renascimento com trabalho ambiental. Foto: Amanda Perobelli
Desespero, escuridão e sofrimento. Foi assim que Marcus Azevedo Durante, 45 anos, se sentiu por seis anos. Desempregado e sem perspectiva de melhorar de vida, o morador de Diadema se viu mergulhado no submundo das drogas, viciado em crack e cocaína. Quando chegou ao fundo do poço, teve a certeza: o caminho sombrio não teria mais volta. Mas foi aí que enxergou, na reciclagem de resíduos sólidos, a luz no fim do túnel. O trabalho ambiental deu forças para o catador renascer das cinzas.
As drogas entraram na vida de Marcus como um grito de angústia diante da difícil situação financeira que perdurava há anos. Acostumado a trabalhar e ter o próprio dinheiro desde os 17 anos, a falta de oportunidades no mercado de trabalho consumiu e destruiu sua autoestima. Inútil e desprotegido, o refúgio no crack e na cocaína pareciam a saída menos dolorosa. Quando perdeu o apoio de amigos e familiares, Marcus percebeu que a ilusão de bem-estar e felicidade proporcionados pelas drogas era passageira, mentirosa e só lhe trazia mais destruição.
Ao ver a mãe doente e infeliz, procurou por ajuda de psicólogos e grupos como Narcóticos Anônimos. Mas a reviravolta só aconteceria com o trabalho de reciclagem. Uma assistente social, que fazia uma pesquisa socioambiental na Vila Nova Conquista, antiga favela da Coca-Cola, fez o convite para Marcus participar do projeto municipal Vida Limpa, de coleta seletiva. O morador de Diadema enxergou na proposta a chance de mudar a vida e dar a volta por cima. “Renasci junto com o Vida Limpa”, revelou.
Sentindo-se importante e integrante de algo maior, o catador recuperou a autoestima, descobriu o amor pela natureza e a si próprio. “Nós catadores somos os anticorpos do planeta, pois combatemos todos os materiais que podem fazer mal ao meio ambiente”, afirmou, com orgulho. Engajado na causa ambiental e defensor dos animais, hoje Marcus é coordenador do posto de coleta seletiva da Vila Nova Conquista e membro da diretoria da Associação Pacto Ambiental.
Apesar dos preconceitos que a categoria sofre na sociedade, Durante garante estar mais feliz e disse ter aprendido com a solidariedade do grupo a dar mais valor à vida. Atualmente, luta pelo reconhecimento do trabalho dos catadores pelas prefeituras. “Não vou mudar o mundo, mas quero fazer a minha parte”, disse.
Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=30988
